terça-feira, 16 de outubro de 2007

Internet: bens e males fora de controle

Sem dúvidas, a Internet é algo que entrará para os futuros livros de história. Simplesmente é uma alteração radical nos meios de comunicação, e nós somos prova disso.

O impacto da Internet afeta todas as áreas possíveis: estudantil, militar, privada, comercial, governamental; ou seja, é uma poderosa ferramenta que possui mais funções que um canivete suíço. Afinal, esta revolução trouxe novos meios de comunicação e substituição de outros, fazendo com que o contato entre pessoas físicas e jurídicas nunca mais fosse o mesmo.

Mas a Internet não trouxe somente novidades positivas, afinal, é um mundo virtual sem nenhum tipo de restrição, inclusive para crianças. Sites com conteúdos pedófilos, o tráfego de MP3 e filmes, aumentando a pirataria, sequestros usando redes de relacionamentos, etc.

A Internet é uma ferramenta, assim como uma faca. A faca, podemos utilizar para cortar carne e todo tipo de alimento, contudo, também serve para matar. Ela é uma "arma" - use-a para o bem ou para o mal. Através dela, e de suas brechas, assaltantes conseguem roubar mais facilmente senhas de bancos, escolhem mais suas vítimas através de redes de relacionamentos (Orkut), conseguem planejar seus atos em uma velocidade muito maior.

Assim como colocamos portões, muros, fechaduras e cadeados em nossas casas, devemos também estar preparados para todo tipo de "assalto" na Internet - se informando e aplicando o conhecimento em seu computador e "vida virtual" - Não divulgue muitas informações pessoais, atualize sempre seu sistema operacional (a recomendação para segurança na Internet é a utilização de Linux), no Windows, instalem e atualizem sempre um antivírus e antispyware, e em ambos os sistemas, utilizem um firewall, que é o mais importante.

Contudo, houve maiores impactos em seções onde a comunicação cada vez maior é essencial: comércio e educação. Afinal, ambos os campos se flexibilizaram muito para acompanharem essa revolução. E uma delas foi com o início da educação virtual, à distância. Todas as universidades possuem um ambiente na Internet para realização de trabalhos, dúvidas, etc. Meu antigo curso de ciência da computação era presencial, contudo, todas as atividades, trabalhos e leituras eram realizadas também através do Moodle.

Obviamente, isso alterou o modo com que o aluno estuda. Como parte da maioria dos cursos possui um segmento à distância, requer do mesmo maior autonomia em estudar por si próprio. E, mais óbvio ainda, é a criação dos cursos sumariamente à distância: o nosso caso. Sem a Internet, provavelmente seria quase impossível estarmos aqui hoje, debatendo esse assunto. Engenharia ambiental no estilo Telecurso 2000 seria bastante difícil.

O uso da Internet na educação é prova que esta pode e deve ser usada como uma nova ferramenta revolucionária, pelo número de novidades que trouxe. A Internet está se infiltrando intensamente em cada vez mais segmentos da vida e da sociedade. Primeiramente utilizada para fins militares, acabou sendo um meio de comunicação textual entre pessoas, depois fonte de informação, meio de compra, meio de estudo, comunicação via vídeo, e por aí vai.

Essa rede mundial de computadores está se tornando algo comum até para geladeiras, ganhando mais e mais funções de modo indefinido e praticamente infinito. Cada vez mais rápida, mais recursos vão se criando e aproveitando-se disso. Apesar de eu lamentar isso, a Internet será algo essencial para tudo no futuro: tudo se fará por ela. Nossos netos perguntarão assim: "Vô, como você vivia sem Internet?"

E o segundo segmento que mais teve que se flexibilizar para atender ao mercado é o dos negócios. Ambas as áreas necessitam de uma comunicação e velocidade cada vez mais eficaz, se adaptando a todo tipo de novidade. Mas esta, sem dúvida, é a nova que trouxe maior impacto, devido ao fato da exclusividade e faixa de uso.

Quem nunca ouviu falar dos sites Submarino, Americanas.com, etc? Com alguns cliques, e sem tirar a poupança da cadeira, compramos o que quiser e recebemos na porta de nossas casas. Quem já ouviu falar do MercadoLivre? Um site de leilões virtuais, onde pobres mortais como nós podemos vender nossos produtos usados ou não através de leilões na ponta dos dedos. Quer investir? Fazer uma transferência? Financiamento? Pagar um boleto? Basta ir ao site de seu banco. Quer saber o que a empresa X oferece? Quanto ela cobra para fazer tal coisa? Basta entrar no site dela e fazer o contato. A gama de opções, de transações e ofertas aumentaram expodencialmente com o uso da Internet. E, as empresas, abraçarão cada vez mais este recurso, tratando-o cada com cada vez mais profissionalidade.


Hoje, com a invenção dos meios instantâneos, nós também tivemos que ficar instantâneos. O chefe envia um email pedindo para fazer tal coisa, passa cinco minutos e ele pergunta se já terminou. Nós também tivemos que trabalhar na mesma velocidade da Internet, fazendo com que não tenhamos tempo para refletir pontos da sociedade ou de nossas próprias vidas. Quem trabalha a distância, muitas vezes, acaba se esforçando mais do que em uma empresa presencial, não conversa, não dá risada de micos e piadinhas, nem fala sobre a vida. Por isso, sou a favor da Internet como ferramenta. Estou gostando deste curso de engenharia ambiental á distância, mas não podemos deixar que tudo comece a ser virtualmente.

Antigamente, quando queríamos fazer barba, saíamos nas ruas, cumprimentando, brigando e se relacionando, conversando, até chegar ao barbeiro. E chegando lá, falávamos muito com os profissionais e com o amigo que estava fazendo barba ao lado, sem pressa de nada.
Inventaram o barbeador "prático", e agora cada um faz a barba olhando para si próprio, dentro de casa em um banheiro solitário. Porque? Para sobrar mais tempo. Para que? Trabalhar.

Não quero ver quando todos começarem a fazer compras de hipermercados sentados na frente de um PC. Nem quero pensar que um dia, nos limitaremos a acordar, dar um passo e sentar na frente do PC; dar outro passo e cair na cama quando dormir. Solitários, gordos, sedentários, fracos, máquinas - este serão os adjetivos de quem quiser entrar nestas engrenagens. Sou a favor da Internet-ferramenta. Podemos sim fazer coisas a distância, desde que elas não sejam prioridade e nem consumam a maioria do tempo. Desde que somente seja para a educação e outros segmentos importantes.

Um dos pontos mais críticos da internet é a liberdade em excesso. Ao mesmo passo que eu tenho liberdade para publicar este artigo, outros muitos possuem idéias discriminatórias, racistas e violentas, expandindo isso para várias outras pessoas. Imaginem uma criança de 10 anos, podendo se teletransportar para qualquer parte do mundo, inclusive dentro de um motel, que possuem outras crianças sendo violentadas sexualmente - isso é um rombo feito na educação desta pessoa, que se traumatizará negativamente de diversas formas que dispensa minha citação aqui. A educação da criança é algo essencial, pois tudo o que ela faz quando ficar adulta, reflete o que ela aprendeu no passado - consciente ou inconscientemente.

Eu não acho, e felizmente prefiro nunca achar, que o mundo virtual traz vivências mais profundas que o real, isso é questão de escolha. Muitas vezes a pessoa não procura vivências profundas no real, e acaba achando mais fácil uma certa intensidade no virtual; e isso acho preocupante, pois a pessoa acaba por trocar algo natural por outro artificial. Um brilho no olhar, um sorriso, o jeito da pessoa, o tom de voz, entre diversas outras infinitas características de um relacionamento real, é impossível de se expressar de igual maneira no virtual. Da mesma forma, uma letra à mão exclusiva, escrita em tortuosas linhas que semprem expressam o sentimento da pessoa: nenhum email traduz a sensação de se ler uma carta escrita por quem você mais gosta, ansiosamente deixada pelo carteiro no final da tarde. Eu acredito muito na Internet-ferramenta, ou seja, o uso consciente da mesma somente como um meio de facilitar a execução de determinadas tarefas. Eu nunca deixarei o mundo virtual me convencer, para mim, ele será apenas uma suposição; sempre tirarei minhas certezas no real. O mundo virtual é uma maquinização da comunicação entre o ser humano, não deve ser vital.

Por Júlio César Bessa Monqueiro, em "A vida é simples, a natureza é simples"

Um comentário:

Anônimo disse...

Bom texto parabéns