segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O lema: "desenvolver"

Não entendo o porquê que o mundo caminha rumo ao "desenvolvimento". Países emergentes querem "desenvolver" (desmatando tudo e colocando indústrias no lugar), mas já paramos para pensar onde queremos chegar?

O rumo de tecnologia também é outro, o da sedentarização máxima - ou seja, tornar tudo com o máximo de conforto, até o momento que faremos tudo sentados. Trabalho com tecnologia e sei dessa realidade. Há muito pouco tempo algumas empresas começaram a fabricar seus dispositivos usando tecnologias mais ambientalmente corretas, porém, o rumo é o mesmo - é querer "tapar o sol com a peneira".

Não adianta uma pessoa fazer coleta seletiva todo dia, e trocar de carro todo ano. Pergunte à pessoa porque ela trocou de carro: com certeza ele não tinha nenhum defeito grave, nem parou de funcionar, foi simplesmente por status, porque esta participa do tal "desenvolvimento". Hoje, infelizmente, preodutos como carros são descartáveis, apesar de serem econômicos cm relação ao combustível, é praticamente usada a relação "estragou, jogou fora". Lembro-me dos carros da década de 70/80, onde sempre havia conserto, muitas vezes o pŕoprio dono fazia, a manutenção era extremamente fácil, justamente porque os produtos eram feitos para durar, e não para estragar e você ir lá comprar outro (e, muitas vezes, o que você economiza com combustível, em termos depoluentes, acaba agredindo mais comprando mais e mais carros). Os Pentium 100 e 486 estão funcionando até hoje, computadores atuais são programados para darem defeitos propositais em 3 anos, para você ir lá e comprar outro. O consumismo está atingindo hoje uma camada mais baixa da população, a classe média e até a baixa: pessoas que ganham um salário mínimo não têm o que comer, mas possuem seus PlayStation 2 e TV via satélite.

Mudar o conceito e os objetivos de "desenvolvimento" e "tecnologia" são fundamentais para a sustentabilidade do planeta. Trocando o "Eu" por "Nós", iniciaremos um ciclo de buscas de tecnologias a favor do meio ambiente, e que ela seja o centro dos dois conceitos retratados aqui.

Mal sabe a humanidade que, investindo tudo na natureza, ele mesmo será o melhor beneficiado; a harmonia total com a natureza que deve ser o objetivo final do "desenvolvimento", e somente assim que o homem atingirá a felicidade, que não é financiada em 36x por dinheiro. Temos que curar as causas, e não as consequências, indo das partes para o todo.

Acredito que um dos principais focos hoje é a reeducação da sociedade. Sabemos hoje que toda a cultura industrial que trouxemos como valores, como o que a natureza é inesgotável. Aliado aos interesses políticos e econômicos de diversas corporações (vide filme “The Corporation”), o nosso papel na sociedade se torna difícil, mas cada vez mais possível.

A insistência e qualidade dos argumentos devem ser os dois pontos primordiais para a nossa missão de tornar o desenvolvimento sustentável algo nativo e cultural por todas as nações, ligando todos os aspectos econômicos, sociais, institucionais e ambientais em um só. Somente assim, o mundo não expirará.

Por Júlio César Bessa Monqueiro, em "A vida é simples, a natureza é simples"

Editado em: 05/11/2007 às 18:25

Um comentário:

Belquior disse...

"O consumismo está atingindo hoje uma camada mais baixa da população, a classe média."

O consumismo atinge sim as camadas baixas da população, e não para na média.
O principal objetivo da sociedade[em geral] é o desenvolvimento, e o mesmo é creditado erroneamente a coisas supérfluas.
Conseguir ver que estamos dando valor as coisas erradas não é nada facil. E mesmo sabendo disso, é necessário ainda muita auto-entrega, para sermos coerentes.

É necessário a construção de novos paradigmas, e para tal cá estamos nós.